quarta-feira, 29 de abril de 2015

Manuel..

".. e essa semana fez  cinco anos e até hoje não me acostumei com essa ausência tão grande. Quando me falaram que as pessoas eram insubstituíveis eu quis questionar, eu quis acreditar que todo vazio poderia ser preenchido em algum momento. Eu quis acreditar que a presença física poderia ser suprida a todo momento por lembranças, mas nem sempre é assim. Sinto falta do sorriso, do olhar, do tocar, das palavras, sinto falta de criar novas histórias ao teu lado. Eu sei que o tempo curou a dor, que levou as lágrimas, acalmou o coração, mas nuca irá apagar o significado e esse sentimento de amor simples do apenas querer o bem de quando estava por perto.  É confuso, eu sei, mas espero que onde quer que você esteja, que ainda continue rindo, continue olhando por todos que te amaram, que eu estarei aqui lembrando do olhar sincero. 
Enquanto isso continuarei ouvindo CDs nunca escutados, lendo os livros pelas metades, sentido a presença das ausências e tentando preencher todo o vazio com as melhores lembranças que você me deixou. 

Eu sempre vou te amar, por toda minha vida.
Com carinho,
Patrícia"


"O amor profundo, o amor que salva"

domingo, 19 de abril de 2015

Na cozinha.

" - Patty, segura! - Disse, o Rodrigo e jogou a massa de pão nela.
- Poxa, Rold! Olha isso, eu to de roupa preta! 
Todos que estavam ali com eles riram, pois tinha farinha da cabeça aos pés da Patty. "

Seria uma história completamente boba senão houvesse acontecido há, exatos, dois anos. Seria apenas mais uma história senão fosse um dia tão importante. Seria só um pão, senão houvesse tantas saudades e lembranças. Tem dias que a vontade é de voltar no tempo, voltar as escadarias, voltar ai estacionamento, ir no cinema, andar até a biblioteca, entrar em uma cozinha e fazer tudo que a criatividade permite. É  impossível não sentir falta de cada pedaço de mim que foi construído ali. Não há como negar que todos que passaram na minha vida nesses quatro anos e meio, fizeram de mim uma pessoa melhor.


"No meio a todas aquelas risadas, histórias e conversas, Patty prometeu para si que não importaria o que acontecesse a partir daquele dia, que ela amaria e nunca esqueceria todos que estavam naquela cozinha."

quinta-feira, 9 de abril de 2015

... que hoje eu passei batom vermelho.

Uma vez vi em um filme que não a nada mais cruel do que passar pela escola, lá as crianças e adolescentes podem ser cruéis. Eu poderia dizer que isso é um absurdo, que bullying é algo que não acontece e que as "zueiras" nessa fase da vida não influenciam em quem nos tornamos quando nos tornamos adultos. Eu até acreditaria que isso é verdade se não tivesse acontecido comigo. 
Agora quem me conhece a menos tempo ou quem não me conhece tão bem assim, deve estar com um ponto de interrogação na mente "COMO ASSIM PATTY? VOCÊ SOFREU BULLYING? MAS VOCÊ É TÃO COMUNICATIVA, TEM AMIGOS, ISSO NÃO TEVE EFEITO NENHUM SOBRE VOCÊ MIGA". Agora vem com a tia, que ela vai contar o que aconteceu. 

Senta que lá vem história


Eu estava na sétima série, tinha de 12 para 13 anos e na escola onde eu estudava haviam dois meninos que pegavam no meu pé, por conta do meu cabelo e porque eu era a famosa "nerd". Sim, eu sofria bullying por ter cabelo enrolado e por ser inteligente. Todos os dias eles passavam por mim e falavam que eu era uma nerd feia, que eu era isso, aquilo, filha do Valderrama e outras coisas que minha memória fez questão de esquecer. Esse jeito de me tratarem me incomodava muito, reclamei para diretora da escola umas 5 vezes, até que um dia os anjos vieram me atormentar de forma gratuita e eu bati em um deles. Sim, ~com o perdão da palavra~ enfiei a mão na cara do menino, ele era tão branco que ficou a marca dos meus cinco dedos no rosto dele. Depois desse dia o Bullying acabou, nunca mais mexeram comigo.

Papai e eu. Não, pera.

Ah, Patty, mas ai acabou o bullying e a vida seguiu normal, não é? 
Não, miga, a vida não seguiu normal. Quer dizer, ela seguiu normal, eu que não segui. Até eu entrar na universidade a vida foi um caos interno, eu tinha mil amigos homens, escutava metal e não me abria com ninguém. Até ai, nada de errado, porém se alguém falasse que me achava bonita eu tinha certeza que pessoa estava mentido para mim. Eu achava que era impossível alguém gostar de mim pela minha aparência, então tentava chamar atenção pelo meu 'intelecto' e me diferenciava de todas as outras meninas que conviviam comigo pelo meu gosto musical e modo de me vestir. Só que com isso desenvolvi uma "mente brilhante" e uma auto-estima inexistente
.  
Alô 15 anos, tr00 from hell, com essa cara de má.

Eu me anulei para vida e para as possibilidades que eu tinha na minha frente, tive alguns rolos, até um namorado nessa fase, mas eu nunca acreditei que era de verdade. Por que? Porque eu não acreditava em mim.
Mas, miga, quando isso mudou? 
Isso começou a mudar depois que entrei na universidade, onde eu conheci pessoas maravilhosas e pessoas que não faziam parte desse passado. Já falei em outra postagem, eu comecei a namorar assim que entrei na faculdade e assim foi até o fim. Parte desse tempo de namoro, quando ele falava que eu era linda eu realmente não acreditava. Era impossível eu achar que as pessoas me achassem bonita, na minha cabeça isso nunca aconteceria. Eram resquícios de uma pré-adolescência conturbada pelo bullying. Com o passar do tempo, comecei a me cuidar mais, mais especificamente a partir do momento em que passei um batom vermelho a primeira vez. É o batom foi fundamental na minha vida, me descobri mulher, me descobri bonita a primeira vez. Eu tinha 19 anos nessa época.

 
Vemk, mebeja

AH! Agora sim seus traumas acabaram e você é uma pessoa que se acha linda hoje em dia, né Patty?Éééééééééé não! Explico melhor, quase 5 anos depois de passar o primeiro batom vermelho, eu realmente comecei a me gostar. Mas nunca me encaixei nos padrões de beleza de revista, sempre fui acima do peso, meu cabelo não é aquele liso escorrido (nunca fiz alisamento nele), uso óculos. Isso em algum momento da minha vida realmente me incomodou, sempre tem alguém para te criticar e falar que você pode ser melhor. "Ah, porque você não alisa o cabelo, vai ficar tão bonita" "Ah como você fica diferente sem óculos, usa lente" "Porque não entra na academia, seu rosto é tão bonito, magrinha não vai ter quem resista". AMIGOS PAREM COM ISSO! 

Tudo dentro das normas. Só que não.

Que revolta é essa, Patty?
Não, gente não é revolta. Mentira é sim, eu só não quero ter que passar aos 23 anos (quase 24) o que passei aos 13. Ao invés de ter dois muleques chatos falando que sou feia, agora tenho sites, blogs, revistas, programas de tv, grupos no facebook mostrando como devo me portar. E isso vale tanto para os padrões das passarelas/academia, quanto para quem defende a beleza natural e a aceitação. SIM, vale para os dois lados, a pessoa nunca pode ser o meio termo, ou querer estar lá, senão ela é sem opinião. Explico melhor, se você não é fitness te julgam como a sedentária, gorda, com preguiça de se cuidar. Se você é gorda e que emagrecer, te julgam como se você não se aceitasse. Ou seja, estamos vivendo em um cabo de guerra da beleza.  

É meu! Não é meu! VEMK COMIGO


AH! Então você é a favor de ficar no chove não molha?
Não é isso, eu sou a favor do bom senso. Se a pessoa é gorda e quer emagrecer, deixe ela emagrecer. Se ela quer continuar gorda, deixe ela continuar gorda. Se ela tem o cabelo cacheado e quer deixar ele liso, que o cabelo fiquei liso. Se ela quer andar com ele cacheado, que fique cacheado. O que estou tentando colocar em questão, é que a pessoa tem que viver de acordo com que ela acha que faz bem para ela e não de acordo com que os outros pregam por ai.

I BELIEVE I CAN FLY

AH, Patty, mas o que isso tem relação com o bullying que você sofreu?
A relação é bem simples, levei praticamente 10 anos para me libertar e ver que por trás desses óculos e cachos existem uma pessoa bonita. Uma pessoa que é capaz de ser amada e de amar, que tem uma família linda e amigos mais lindos ainda.  Tenho muita dificuldade, ainda, em receber elogios, a diferença é que agora eu acredito quando falam que estou bonita. Eu me visto, arrumo meu cabelo, me maquio ou não, de acordo com o que me faz bem. Por mais que que a menina de 13 anos ainda grite aqui dentro em alguns dias, o que eu faço é não ouvir ela. Porque a Patty de hoje é muito melhor do que ela e a de amanhã vai ser muito melhor que a de hoje. Então você que está lendo ai, só tenho um conselho para te dar, seja unica e exclusivamente quem você é. As pessoas encantam por serem sinceras, a beleza vem com o sorriso e com o bom humor. Se for preciso, liberte-se de você mesmo.

"She
She's figured out
All her doubts were someone else's point of view
Waking up this time
To smash the silence with the brick of self-control"