sábado, 7 de fevereiro de 2015

Sobre a omissão.

Passei parte da vida omitindo de mim meus sentimentos, minhas vontades, minha necessidade de ser ouvida,  achei que se eu não fosse o que as pessoas querem que eu seja eu não seria aceita. Escondi de mim mesma quem eu era, ou pelo menos tentei. Sabe aquele papo de 8 ou 80, sempre fui assim, expansiva, nunca gostei de coisas pela metade, mas passei mais da metade da vida consentindo com as pessoas ao meu redor para agradá-las, ou seja, fui metade de mim o tempo todo com a maioria. Nunca deixei que se aproximassem de mim o suficiente para que eu fosse inteira, pelo menos eu achava que não
.Minha mãe sem falou que a verdade, por mais que seja difícil de ouvir, é sempre o melhor caminho. Com isso eu nunca aprendi a mentir, toda vez que eu tento fica escancarado na minha cara: as bochechas ficam vermelhas e o olhar desvia. Então, nunca aprendi com a vida quão grave é mentir, mas eu aprendi como é fácil omitir. 
Pode parecer errado o que vou falar, mas quando se mente a verdade é terceirizada, cria-se de fato a ilusão de qualquer culpa que se venha com a verdade se pode esquecer. Criar uma história, se livrar da culpa, terceirizar a verdade é um processo trabalhoso. Já omitir é simples, basta calar-se, porém o peso da verdade é muito maior do qualquer mentira que se possa contar.
 Com a omissão você tem que conviver com a realidade todos os dias, a todo momento, omitir é se enganar, sem terceiros, com todos os seu medos te olhando nos olhos. Aprendi que minha mãe sempre teve razão, que a verdade sempre vai ser o melhor caminho,  quando se encara ela, sem se enganar.  


 Depois que a dor passa, a vida fica mais leve. 

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